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domingo, 27 de maio de 2012

SUICÍDIO DOS TRABALHADORES



“Dá-me um jardim:
Sem um olor,
Sem um amor,
Sem alma, enfim!"
Marina Tzvietáieva



Oh Marina!
Se ao menos
pudéssemos, hoje,
pedir nosso fim!

A classe morre
sem se dar conta,
sem se dar luxo.
Entre tanta e quanta
                                    é a dor,
o capital segue
                                 seu fluxo:

                        Alimenta-se de
                                    sangue
                                         suor
                                e sonhos

- vidas inteiras de trabalho -

    Renasce mais reluzente
         a cada segundo
     de trabalho excedente.
          Expropria tudo.
       Novo e revigorado,
oh fênix, supera suas crises
  e sufoca o proletariado.

Não podemos sequer
 pedir nossa morte!

Não há tempo!
               Não há espaço!
Neste momento,
     vivemos os estilhaços
do que um dia foi ascenso.

Sem sequer o direito
de com um tiro no peito
ou uma facada nos pulsos
dar um fim nisso tudo.

Ainda nos resta a vodka,
camarada Vlad,
mas o tédio,
este se tornou luxo!

Infortúnio não acidental*
Garante o mais valor ao capital

Ao invés de “ações drásticas”,
Morremos a pouco e pouco
A cada dia:
                                     


de vodka


                                 de inanição

                                      de apatia.


* Referência ao contrato de trabalho da empresa Foxconn depois de onda de suicídios em 2010 na fábrica localizada na China:“Em caso de infortúnios não acidentais (entre os quais suicídio e ferimentos autoprovocados etc.), confirmo que a empresa seguiu as leis e regulamentos e me comprometo a não processá-la, a não fazer exigências excessivas e não empreender ações drásticas que possam prejudicar a reputação da companhia ou causar problemas à operação cotidiana.”


27/05/2012