sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
EU
Amarela-
mente
estagno-me.
Enojo.
Repudio.
Repouso rouco:
o cansaço repete-se.
Apática sub-vida
até quanto suporto-te?
Poderia, eu, negar-te?
Eu,
indivíduo?
Eu,
angústia?
Eu,
vazio?
Eu,
pra mim,
permaneço pouco!
Des-espero-me!
Levanto-me,
inspiro ar turvo
e em brado,
irrompo-me em milhões:
EU QUERO É O OUTRO!
24 02 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
AOS LUTADORES DO PINHEIRINHO
Pinheirinho!
Armado com o que
resta;
organizado como
pode.
De pé, resistes,
Pinheirinho!
Com o Estado
não te enganas.
Destroçado,
este é teu lema:
"envergas, mas não quebras!"
De pé, resistes,
Pinheirinho!
O futuro não está dado;
as vidas não foram em vão.
O inimigo será derrotado!
De pé, resistes,
Pinheirinho!
Pega teu filho que foi espancado;
junta os cacos;
lambe as feridas.
Agora são muitos que estão ao teu lado!
De pé, resistes,
Pinheirinho!
Entre choro, sangue e
ódio,
levanta-te revoltado;
propaga-te como rizoma.
Ninguém poderá segurá-lo!
De pé, resistes,
Pinheirinho!
Espalha tua semente
até ver o mundo todo tomado
pela única certeza
de que o troco será dado!
31 01 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
EPIFANIA DE UMA NOITE CHUVOSA
Declamaria todos os poemas de amor
e também
os de morrer de amor.
Inventaria histórias sobre a humanidade
enfim humanizada,
livremente associada.
Sobre homens que relacionariam-se
entre si
não mediados pela tal mercadoria.
Sem sonhos fetichizados,
enclausurados pelo capital.
Trabalharíamos o necessário
e o resto seria poesia.
Cantaria todas as canções para ti.
Não fosse a corrosiva distância,
os deveres,
as prioridades,
a militância.
Não fosse a subvida,
apenas sobrevivida pelos nossos.
Não fosse a mefítica burguesia
com seus discursos patéticos,
hipócritas,
e seus lacaios vermes estadísticos.
Não fosse o ódio de classe que nos consome
e nos impõe a difícil tarefa
de forjar um novo dia.
Mas, nesta noite, a chuva cai sobre meu corpo
e tu és vivo em mim.
Hoje, me permito esquecer tudo por um instante
e num lascivo laço
envolvo-te entre minhas pernas,
num desmedido abraço,
entrego-me por completo.
E neste momento incessante,
eu canto.
Não fosse a corrosiva distância,
os deveres,
as prioridades,
a militância.
Não fosse a subvida,
apenas sobrevivida pelos nossos.
Não fosse a mefítica burguesia
com seus discursos patéticos,
hipócritas,
e seus lacaios vermes estadísticos.
Não fosse o ódio de classe que nos consome
e nos impõe a difícil tarefa
de forjar um novo dia.
Mas, nesta noite, a chuva cai sobre meu corpo
e tu és vivo em mim.
Hoje, me permito esquecer tudo por um instante
e num lascivo laço
envolvo-te entre minhas pernas,
num desmedido abraço,
entrego-me por completo.
E neste momento incessante,
eu canto.
19 01 2012
BIOQUÍMICA DO SEXO
o toque,
o arrepio.
Romper a barreira de si
no contato com o outro
[fusão]
olhos nos olhos
- entrega absoluta -
Feromônios transbordam
entre sussurros
o arrepio.
Romper a barreira de si
no contato com o outro
[fusão]
olhos nos olhos
- entrega absoluta -
Feromônios transbordam
entre sussurros
e gemidos
com
saliva
suor
tesão.
Cheiros repudiados,
perfumascarados
saliva
suor
tesão.
Cheiros repudiados,
perfumascarados
pelo higienismo
burguês.
Quimiotactismo.
burguês.
Quimiotactismo.
Fome epidérmica.
Tua boca em minha auréola;
Tua boca em minha auréola;
Fluxo fluido
meus lábios em tua glande
Textura veludo
Pelo eriçado,
carne rubra,
pupila dilatada,
sentido aguçado,
- tal qual bicho acuado -
Ocitocina,
dopamina,
fenil-etil - amina
- quero todas em doses
de gozo
e explosão!
Inter-penetração
bioquimicologicamente
de idéias,
de fluidos,
Textura veludo
Pelo eriçado,
carne rubra,
pupila dilatada,
sentido aguçado,
- tal qual bicho acuado -
Ocitocina,
dopamina,
fenil-etil - amina
- quero todas em doses
de gozo
e explosão!
Inter-penetração
bioquimicologicamente
de idéias,
de fluidos,
de paixão.
da vida ao avesso
versada,
musicada,
musicada,
compartilhada.
27/09/2011
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
PARA AS MULHERES
BASTA!
de sangue derramado
de vidas submetidas
de marcas da violência
de mortes por conta do domínio
hipócrita
sobre teu corpo!
Estado
Igreja
Família
O machismo se alia a tudo
para lhe dizer:
“seja submissa!”
CHEGA!!!
vai pra luta MULHER!
teu corpo é teu
e de mais ninguém.
É hora de rebeldia.
É tempo de negar:
a maternidade imposta
o trabalho doméstico
- naturalmente delegado -
a subordinação cotidiana
o capitalismo que te explora
e te massacra
nos menores salários
nos postos precarizados
na dupla jornada de trabalho
na naturalização de que és
pequena.
É hora de ser,
de gritar
e de dizer:
Sou GRANDE,
Sou MINHA,
e não aceito
TODA ESSA MERDA!
08 03 2011
de sangue derramado
de vidas submetidas
de marcas da violência
de mortes por conta do domínio
hipócrita
sobre teu corpo!
Estado
Igreja
Família
O machismo se alia a tudo
para lhe dizer:
“seja submissa!”
CHEGA!!!
vai pra luta MULHER!
teu corpo é teu
e de mais ninguém.
É hora de rebeldia.
É tempo de negar:
a maternidade imposta
o trabalho doméstico
- naturalmente delegado -
a subordinação cotidiana
o capitalismo que te explora
e te massacra
nos menores salários
nos postos precarizados
na dupla jornada de trabalho
na naturalização de que és
pequena.
É hora de ser,
de gritar
e de dizer:
Sou GRANDE,
Sou MINHA,
e não aceito
TODA ESSA MERDA!
08 03 2011
PERGUNTAS DA MADRUGADA
A noite apaga o que o dia
vela.
Na vida dividida em classes
tudo parece tranquilo.
…silêncio...
Apenas sabem os que dormem
que dormem para o amanhã,
para mais um dia,
para o trabalho,
para o pão
na mesa.
Mais-Um-Dia;
Mais-Valia.
E nada mais é como antes:
segundos contados,
movimentos previstos
[o sistema se mantém]
Através de sangue e suor,
o dia
p
a
s
s
a
Será possível um novo dia?
em que a vida humana seja
humanamente
humanizada;
em que,
livres
[produtores associados],
possamos apenas
...ser...
em que,
todo o potencial da vida seja
desenvolvido
e não apenas
in-ter-rom-pi-do
pelo esmagador cotidiano.
Sim, novo dia,
nós te forjaremos!
.
15/09/2011
vela.
Na vida dividida em classes
tudo parece tranquilo.
…silêncio...
Apenas sabem os que dormem
que dormem para o amanhã,
para mais um dia,
para o trabalho,
para o pão
na mesa.
Mais-Um-Dia;
Mais-Valia.
E nada mais é como antes:
segundos contados,
movimentos previstos
[o sistema se mantém]
Através de sangue e suor,
o dia
p
a
s
s
a
Será possível um novo dia?
em que a vida humana seja
humanamente
humanizada;
em que,
livres
[produtores associados],
possamos apenas
...ser...
em que,
todo o potencial da vida seja
desenvolvido
e não apenas
in-ter-rom-pi-do
pelo esmagador cotidiano.
Sim, novo dia,
nós te forjaremos!
.
15/09/2011
CANSAÇO
Cérebro, nervos e músculos
desistem.
Tantos anos,
Horas,
Segundos
Tantos anos,
Horas,
Segundos
[frações de reificação],
E nada mais faz sentido.
Ao tentar transformar a coisa,
me espelho
nela.
Vida plena de sentidos?
Carne abandonada só então?
Melhor que o sangue jorre
E que a vida se esvaia…
Por inteiro.
Até que o único sentido
Até que o único sentido
Seja o não sentido.
13 08 2009
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